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BRASIL, Sul, CURITIBA, Homem, de 56 a 65 anos



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Literatura



ANABB: CULTURA & LAZER (2)

O site da ANABB tem uma seção intitulada Cultura & Lazer e, dentro dela, uma das áreas destina-se à publicação de "Causos e Crônicas". (O endereço para acessar esta área é http://www.anabb.org.br/mostraPagina.asp?codServico=319). Todos podem mandar textos para serem divulgados pela ANABB.

No dia 11 de novembro foi publicada a seguinte crônica, de minha autoria:

NUMA NOITE DE LUA NOVA

Noite de lua nova, escura, breu. Somente se ouviam os passos de Honório.  De botas pretas e longas, vestindo camisa escura, suas calças brancas flutuavam nervosamente, indo e voltando, como a contar os sofridos passos.

Lua nova, também escura, no peito de Honório: Narinha o traía.  Não havia mais dúvidas, precisava apenas de uma prova para romper o relacionamento, tomar uma decisão de macho. Fazer alguma coisa que lhe pudesse reconstituir a dignidade e trazer de volta a luz ao seu esfacelado peito de homem ferido.

Mais que fumou, sugou uns dez cigarros, puxando a fumaça para o pulmão com a sofreguidão de asmático, no desespero. Passaram um casal que o olhou assustado; um guarda, que o olhou mudamente, procurando o mistério daquela inquietação; um cachorro, que ele chutou com o grosso bico da bota direita. Ansioso, esperava a comprovação do que já  sabia.

Era uma da manhã quando a conseguiu. Um homem desceu de um fusca vermelho, abriu com segurança o portão do jardim e a porta de Narinha  se abriu à sua aproximação, como que controlada por uma ordem  do  invasor. Assim. Um abre-te-sésamo traiçoeiro que doeu no coração de Honório, agora e para sempre sem os ternos carinhos de Narinha, sem seus doces afagos e beijos.

Já  tinha o que precisava, a comprovação.

Moveu-se rápido e a caminhada se fez sem volta, tensa, as negras botas marcando com firmeza o chão de terra. As pernas moviam-se estranhamente, como se carregassem sobre si uma decisão já  tomada, daquelas que não voltam atrás.

No fim da rua as botas subiram uma pequena ladeira, dobraram à direita e por mais uns quinze minutos conduziram Honório até a escadaria de madeira de um velho prédio que pareciam conhecer de cor, percurso cotidiano. Era o apartamento de Honório.

Dentro do quitinete as mãos, como que ensaiadas, assumiram o comando,  deixando  as pernas na expectativa de nova ação, futura. Ágeis, remexeram num armário e, um instante depois, apoiadas sobre a mesinha, começaram municiar a máquina que Honório mantinha guardada para uma emergência como essa. E, por saberem que a partir daquele momento o papel mais importante lhes cabia, as mãos começaram a fazer gestos exagerados, estudados, vaidosos, alimentando a máquina com cuidado, alisando-a com carinho, limpando-a com uma flanela, azeitando-a com precisão, deixando-a no ponto para a vingança de Honório, o traído.

A cabeça de Honório, por uns pálidos segundos, pareceu recuar, uma forte dor latejava, precisava descansar. Mas prevaleceu o coração, insistente, batendo alto como nunca. E as mãos ameaçavam prosseguir sozinhas, assumindo não apenas o bailado, mas também a coreografia.

A decisão seria mantida, já não por Honório, mas por sua cabeça, que esquecera a dor, por seu coração que percutia zangado, por suas mãos que bailavam sozinhas, por seus inquietos pés rodopiando na sala.

Só havia uma coisa a fazer: Honório coordenou as forças que o apoiavam, a boca gritou mudamente a ordem e suas mãos começaram a dançar um nervoso frevo sobre as teclas da máquina, fazendo nascer, em dolorido parto, as primeiras linhas de um conto  que falava sobre uma certa noite de lua nova, escura, breu.



Escrito por www.Romildo.com às 14h00
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ANABB: CULTURA & LAZER

O site da ANABB tem uma seção intitulada Cultura & Lazer e, dentro dela, uma das áreas destina-se à publicação de "Causos e Crônicas". (O endereço para acessar esta área é http://www.anabb.org.br/mostraPagina.asp?codServico=319). Todos podem mandar textos para serem divulgados pela ANABB.

No dia 21 de setembro, foi publicada a seguinte crônica, de minha autoria:

COMO CHUVA NUM TELHADO

 Não doeu.  Mas o impacto - como o de um coice que lhe acertasse o ombro direito - fez Horácio rodopiar, levando consigo, na queda, as luzes do edifício que, aos seus olhos, girava também. Fundiram-se num só e estranho som o grito surdo de susto, o estampido seco e o cantar raivoso no asfalto dos pneus da Brasília azul, parecendo querer deixar gravada no chão a advertência de sua ira.
 - É grave, doutor? - Era a mulher de Horácio.
 - Não foi nada sério, ele já  está  bom para outra.  - Comentou a vizinha do segundo  andar que, por acaso, foi a primeira pessoa a chegar perto de Horácio, até sujando as mãos de  sangue  ao  ajudar a colocá-lo num táxi e que agora estava a contar orgulhosa a sua façanha às outras mulheres do prédio. Que insistiam em mais saber:
 - Quem teria sido?
 - Não tenho a menor idéia, não tenho inimigos. - Era mais para si do que para a autoridade policial que Horácio respondia, ainda assustado, interessado maior na resposta a esta inquietante interrogação.
 - Acho que foi a Zu, sua colega de repartição. - Informou a mulher de Horácio, vendo que seus olhos perguntavam curiosos quem seria a visita, ao ouvir passos na entrada do quarto.
 Confirmou: é ela mesma, e está  acompanhada, deve ser o marido. Você conhece o marido dela?
 - Muito prazer em conhecê-lo, amigo. A mão de Horácio estendida firme ao marido; os olhos acariciando os seios de Zu. Que percebeu e imediatamente cobriu o alvo rosto com um véu cor de sangue.
 Enquanto, distante como se estivesse a mil quilômetros dali, sua mulher explicava aos visitantes o que tinha acontecido, e muito não sabia, e dizia de sua perplexidade  pelo  mistério  da  agressão, Horácio, preso ao leito do hospital, mas com o pensamento solto e livre, começava a despir a Zu cuidadosamente, carinhosamente, acariciando-lhe os  ombros ao tirar-lhe a blusa; fazendo escorrer os dedos sobre os seios ao arrancar-lhe o sutiã;  percorrendo-a dos quadris ao tornozelo, com as  ávidas mãos, ao fazer cair a saia, como já fizera tantas vezes em motéis do Recife, vendo-a feliz, o sorriso querendo saltar  de  seu  lindo rosto, libertar-se, como se sua boca bem recortada fosse, não moldura, mas prisão para sua alegria. Mas era inquieta que Zu estava naquele instante, temerosa de que o marido, ciumento que só ele...
 - Não, ninguém viu nada, era dez da noite, o Horácio chegando do trabalho, e era uma noite de chuva, como vocês sabem...
 ...  penetrasse na imaginação de Horácio,  percebesse alguma  coisa do seu segredo. E não ficava bem que o Horácio, à vista de todos, mandasse seu pensamento travesso, sorrateiro, rasteiro, sob o risco de ser esmagado por algum sapato descuidado, subir-lhe pelas pernas inquietas e envergonhadas, pelas coxas quentes, beijando-as, mordendo-as, babando-as de gozo e de paixão por suas carnes brancas. Como é sem-vergonha o Horácio, pensava, ainda bem que não morreu; ainda bem, parecia advinhar o Horácio, senão nunca mais iria morder de leve seus seios de biquinhos cor-de-rosa.
 Horácio, acariciando discretamente Zu em seu travesseiro, começava a se agoniar, deitando-se de lado com medo de que seu tesão fizesse erguer de súbito um espantado circo de lençóis brancos; a vontade de se por de pé, pular da cama...
 - Só pode ter sido um engano.
 ...  fugir  daquela história que tanto o irritava, ouvida  mil  vezes,  não  fora  ele  a  vítima,  segurar Zu suavemente pela cintura,  levá-la para um canto qualquer  (qual o motel mais próximo do  Hospital Português?) e  fazerem um amor doido, doído, até que jorrassem  sua  agonia e o sangue do seu ombro, maculando o lençol.  Levantar-se, sair dali...
 - Vamos embora, amor?
 - Ainda é cedo, fiquem mais um pouco.  - O tom forte da voz de sua mulher, como que por ciúme, arrancou Horácio do seu coito.
 - Já é bem tarde, não é, meu bem? - Perguntou, puxando conversa, exorcizando a imagem de Horácio, cuja presença molhada ainda deslizava por suas coxas.
 - São só nove horas. - Julgou ouvir Zu, pois a batida do carro abafou a voz do marido.
 - Que negócio mais chato, não é, querido?  Deve ter sido algum engano, ele que é  uma pessoa tão boa. Deve ter havido um erro...
 A faca da voz do marido cortou o doce da voz de Zu.
 - Deve ter sido um erro, sim.  Aliás, estou convencido de que houve um grave erro.
 Ainda era de raiva o grito dos pneus quando na arrancada riscaram o chão, jogando pedrinhas por baixo da Brasília, como chuva num telhado, indiferentes ao aviso de silêncio.



Escrito por www.Romildo.com às 15h31
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