Alan Marques/F.Imagem
O interrogatório de Expedito Veloso (na foto), o ex-diretor do Banco do Brasil que pediu licença para trabalhar no comitê reeleitoral de Lula, acrescentou ao já intrincado caso do dossiêgate um mistério adicional. Ouvido pelo delegado Diógenes Curado Filho e pelo procurador Mário Lúcio Avelar, Veloso informou que o PT não foi o único partido a negociar o dossiê com a família Vedoin. Antes de concordar em ceder o material aos arapongas petistas, Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planan, negociou com o PSDB.

Segundo a versão que Veloso contou à PF e ao Ministério Público, o tucanato teria oferecido R$ 10 milhões pelo dossiê levado ao balcão por Luiz Vedoin e pelo pai dele, Darci Vedoin. O diretor afastado do Banco do Brasil contou que o birô de “inteligência” do comitê de Lula dispõe inclusive de fotos do personagem que esteve em Cuiabá para negociar com os donos da Planam em nome do PSDB.

 

Chama-se Abel Pereira o personagem mencionado por Veloso. É empreiteiro. Tem negócios em Piracicaba (SP). E seria ligado ao prefeito da cidade, Barjas Negri, desde os tempos em que ele atuou como secretário-geral de José Serra no Ministério da Saúde. Barjas tornou-se ministro depois que Serra deixou a pasta, em 2002, para concorrer à presidência da República.

 

Segundo Expedito Veloso, mais do que um dossiê, o tucanato queria comprar dos Vedoin uma mercadoria mais valiosa: proteção. Suas declarações acabaram comprometendo a versão que combinara com os outros dois petistas ouvidos em interrogatório: Jorge Lorenzetti e Oswaldo Bargas. Foi por terra o lengalenga de que a negociação do petismo com a família Vedoin não envolveu dinheiro.

 

Ora, se o PSDB se dispunha a pagar R$ 10 milhões pelo dossiê, por que Luiz Antonio Vedoin deixaria de mencionar cifras na fase em que passou a negociar com o petismo? A dúvida foi levantada no interrogatório de Veloso. Ele se saiu com explicações pouco consistentes. Disse, por exemplo, que talvez Vedoin desejasse restabelecer as pontes com uma eventual segunda gestão de Lula no Planalto.

 

Ouvido pelo blog, um integrante do alto comando da campanha de José Serra informou o seguinte: o comitê tucano foi procurado por um emissário de Luiz Antonio Vedoin. Queria, de fato, vender um dossiê. Mas não era nem contra Serra nem contra Geraldo Alckmin. Conteria dados desabonadores contra o PT. Comprometeriam em especial o candidato Aloizio Mercadante e o líder do partido na Câmara, Arlindo Chinaglia. Segundo a versão tucana, a oferta foi refutada.

 

Entre os dias 9 e 15 de setembro, a Polícia Federal monitorou o telefone celular de Luiz Vedoin (9908 6507). A voz de Abel Pereira, o empresário que o petismo acusa de ter atuado como preposto do PSDB, é uma das que foram captadas na escuta. Ele tentou falar com Vedoin no dia 14 de setembro, véspera da prisão de Valdebran Padilha e Gedimar Passos, os petistas que negociavam o dossiê antitucanato em São Paulo. Vedoin, porém, não atendeu à ligação. Não se sabe sobre o quê Abel desejava conversar.

 

Na próxima semana, o que a PF abrirá um inquérito para apurar a atuação de Abel Pereira no caso. Durante o seu depoimento, o petista Expedido Filho repassou ao delegado Diógenes Filho um lote de documentos bancários que comprovariam repasses de dinheiro de Luiz Vedoin para Abel. A esperteza levou a PF e o Ministério Público a considerá-lo como suspeito de mais um delito. Deseja-se apurar se Veloso se valeu dos poderes que detinha como diretor de Risco do Banco do Brasil para bisbilhotar o sigilo bancário de inimigos do PT.

 

Fonte: Blog do jornalista Josias de Souza